Textos de pessoas inteligentes, para pessoas inteligentes, inspirados em gente estúpida

"Não é a barba que quero, é a barba que há."

sábado, 27 de setembro de 2014

A juventude de hoje em dia...

Hoje foi um dia estranho. Lá fui eu para a escolinha, aturar pessoas que preferia nem ver, só para mais tarde ter a satisfação de sair de lá.
Mas aquilo que foi, de facto, inspirador, ocorreu quando fui almoçar ao centro comercial, em hora de ponta. Eram pessoas que nunca mais acabavam, e uma das poucas mesas que estavam livres era pequenina, com dois tabuleiros lá em cima, mas como estava perto, foi lá que me sentei, mais a minha mãe. Ao lado da mesa, estavam duas velhotas. Quando conseguimos finalmente tirar os tabuleiros da mesa, o que não foi fácil, sentamo-nos e começamos a comer. As duas velhotas que comiam ao nosso lado entretinham-se a falar daquilo que parece ser o assunto mais debatido pela terceira idade: a juventude de hoje em dia. Sim, porque nós (entenda-se, eu) somos o futuro do pais, e isto está muito mal, e os jovens são muito mal-educados e mais um par de botas. E pronto, foi o almoço todo a cagar sentenças.
Quando as velhotas acabaram de comer, uma deles agarra no tabuleiro, mas não o levanta da mesa. Ao reparar no ar intrigado da sua companhia, a senhora tentou explicar-se. "Vou arrumar o tabuleiro", concluiu a anciã. "Mas para quê?" perguntava a outra idosa. No fim, as velhas foram-se embora e deixaram os tabuleiros em cima da mesa.
"Isto é, no mínimo, curioso.", pensei eu para mim. Mas depressa isso me passou. Mais tarde, fui ao cinema ver um filme chamado "os gatos não têm vertigens", e o publico na sala era, a semelhança das outras duas senhoras, idoso. O filme foi agradável, mas no fim, não pude deixar de reparar no estado em que a sala ficou. Já assisti a filmes de animação com 500 putos a fazer uma barulheira que dava para acordar um morto, mas quando o filme acabou sala parecia o palácio real, em comparação com a javardice que os anciãos fizeram ali.
Agora, ao fim do dia, enquanto escrevo esta postagem, penso para mim mesmo: Mas será que quando as pessoas chegam a uma certa idade, pensam que podem dar-se ao luxo de não deixar livres as mesas em hora de ponta, e de transformar salas de cinema em autênticas estações de reciclagem? Este não foi o primeiro dia que encontrei idosos que acham que "a juventude de hoje em dia" é que vai mandar o pais desta para melhor. A isto, eu pergunto: o pais não foi já desta para melhor? E não foram eles os jovens que viraram isto do avesso?
Quero salientar que respeito o ancião. É preciso respeitar os mais velhos. Mas por favor, dêem-se ao trabalho de respeitar, e de educar pelo exemplo. Vejo gente que admira as culturas orientais e tribais, onde o ser ancião é um posto altamente respeitável, e criticam que cá não seja assim. Pois, porque será? 

1 comentário:

  1. Vê o lado positivo da "coisa" (até as pilhas têm um !!! ):

    Deixam os tabuleiros na mesa e os copos de plástico da coca-cola e as sobras das pipocas que não conseguiram ruminar ao longo do filme "porque não se pode deixar os jovens de hoje (que não conseguem arranjar mais nada mesmo com mestrados) que o fazem, às vezes por menos que o ordenado mínimo, sem trabalho"

    É verdade... esta juventude está perdida... e aquela idade... bem, desperdiçada... "to say the least"

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